Raiai!

Um blog de baianidades soteropolitanas

13 março 2006

Indecisão em: O Plano II

Tonhe chega do colégio, larga a mochila em cima do sofá e vai direto pra casa de Lu, contar o q pretende fazer pra resolver o problema do amigo. Lu, o amigo, ouve-o atentamente:
– Espie só... achei uma lá em Vilas q tem... Lá é chei de gente rica. Médico, advogado, engenheiro, tudo quando começa a ganhar dinheiro vai pra lá. Tem um colega de tio Nem q conhece um casal de advogados q mora lá, num casarão da zorra, mas q passa o dia inteiro aqui em Salvador, trabalhando. Essa casa é vizinha à casa q ele trabalha. Ele disse q dá pra pular de um quintal pro outro, facinho. Só q vai ter de arranjar um jeito de prender o pit bull de lá. Disse q isso é o de menos. É dos brabo, mas ele falou q já tem um pouco de intimidade com o cachorro, ¿eu vou fazer o quê? É com ele e a porra...
– Rapaz!!! – diz Lu, cheio de receio.
– Oxe rapaz! ¿Tá com medo de quê? ¿Né home não é?
– Naonde! Me dê sua irmã pra você ver.
– Peraê bicho! Deixe de furicagem. Ele disse q nesse final de semana agora, eles devem viajar pra um lugar aí... Diz ele q ouviu o patrão comentando. É melhor q dia de semana, ¿né não? De vez em quando, os dois deixam a chave lá mermo. Já tô sabendo de tudo. Se isso acontecer, é capaz de nós dois entrar pela frente, tirando onda. Ó paí! ¿Já pensou? – Tonhe dá uma gargalhada e um tapão na cabeça de Lu, q lhe questiona preocupado:
– ¿Cê conhece esse maluco daonde?
– Esse bicho é colega de tio Nem, ¿eu num falei? ¿Não lembra da época q tio Nem era caseiro também, lá em Arembepe? Nesses tempo os dois trabalhavam lá... em casas diferentes, óbvio.
– Rapaz!!!
– Ô meu irmão, a gente entra, faz o q a gente vai fazer e se sai, nas manha, sem deixar nem cheiro de peido, pra eles num estranhar. O cara já deu todas as garantias q não vai acontecer zorra ninhuma. Terminou, a gente sarta fora... e aí, só alegria! ¿Tá vacilando véi? Eu demorei um tempão pra convencer meu tio a falar com ele, depois q soube desse canal, pra você agora ficar dando pra trás...
– Lá ele! ¿Mas sábado... já? Se Mainha sabe q eu fiz uma maluquice dessas, ou ela me mata ou manda me internar... eu tô fudido! Ela nunca mais me deixa sair com você, sacana! Até hoje ela ainda é cismada contigo, por causa daquela bolacha q você tentou güelar no Q’Preço.
– Eu não! Nós. Num venha não! E foi por causa da sua nervosice q a gente se lenhou. Até hoje minhas pernas tem as marcas das lapiadas q eu levei daquele segurança safado... E acabei levando a culpa e me fudendo sozinho, ¿né? – bate com a mão esquerda aberta na lateral da outra mão, cerrada, olhando para Lu, q nada podia dizer. – Eu ia mandar meus irmãos quebrar ele no pau, mas depois eu deixei pra lá...
– Disse q aquele bicho é viado, ¿sabia? – comenta Lu, tentando mudar um pouco os rumos da conversa.
– Eu tô ligado. Encubadão ali, rapaz. Mas voltando ao assunto... Venha cá, ¿cê vai ou não vai pr’essa porra? Diga logo q eu já tô ouvindo Mainha me gritando... Rapaz, confie em mim... Não vai dar nada pra gente não. E esse maluco também deve conhecer os donos da casa. Ele não é otário. Nós dois é de menor... ainda tem isso. E esse negoço é bem longe daqui... se rolar alguma putaria, ninguém vai ficar sabendo de nada.
– Naonde! Duvido! ¿Do jeito q esse povo daqui é?
– Mas quem vai se lenhar né a gente não... é ele q vai se queimar, com os patrão e a zorra... por isso q eu tô confiando também... ele não ia fazer uma coisa dessas se não tivesse certeza q fosse dar certo, ¿entendeu? ¿E aí?... Umbora bicho! Ele disse q era preu ligar hoje de noite – nesse momento, pequena pausa com os dois olhando pro chão da sala, onde a gata, recém parida, dá de mamar aos três gatinhos q sobreviveram à sua tensão pós parto. – Eu já fui uma vez lá no Sesc Piatã, com tio Nem e esse maluco. Se não me engano, o nome dele é Morcego. Eu vi tio Nem chamando ele de Morcego – os dois riem e Lu diz: oxe! – Aliás, eu já fui foi duas vezes com eles.
– Não sei... sei não véi. Porra!! Perainda... Xô pensar...
Tonhe se reta e levanta pra sair.
– Peraí! É sério! – isso é Lu pedindo pra Tonhe esperar um pouco mais.
Ele continua muito indeciso e não sabe o q fazer ainda: “Porra, ¿vou ou não vou?” Lu cismava q com ele as coisas sempre davam errado. Mas ele queria tanto experimentar aquela emoção... “mas Mainha vai dar um jeito de ficar sabendo!” – pensou, voltando a si.
– Porra Tonhe...
– Ah, vá pra merda, vá! ¿Quem nunca tomou banho de piscina aqui, foi eu ou foi você? Já fui!

*Conto de RAIAI! nº 1

3 comentários:

Edson Abutre disse...

Que viagem!
Mas pq O Plano II?
Tem o I também.
Põe no site, Galdea...
Se o II é bom, o I deve ser melhor.

Jorge Augusto disse...

o I sempre é melhor que o II, pelomenos em filmes.

Rei disse...

o especialista nos desfechos surpreendentes... Cérebral puro